APRESENTAÇÃO | PROGRAMAÇÃO

Mostra Contemporâneos

A mostra Contemporâneos do 4º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo inclui títulos produzidos entre 2007 e 2009, inéditos ou que tiveram destaque em importantes festivais internacionais como Sundance, Cannes, Berlim e Bafici.

O panorama do cinema latinoamericano contemporâneo é traçado através de 31 filmes de 17 países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. Do clássico ao experimental, do violento ao terno, da realização de baixo orçamento às grandes coproduções internacionais, abarca-se a diversidade de temas e propostas estéticas do nosso cinema.

Entre os estrangeiros, a busca por melhores condições de vida aparece como tema recorrente, como o fotógrafo marginal do filme panamenho “Curundú”, os Protagonistas do cubano “O Corno da Abundância” e a personagem de “Alícia no País”. O tema da violência, constante no cinema latino-americano, está presente em várias obras desta mostra, como nos venezuelanos “O Inimigo” e “Cyrano Fernández”. A programação é amenizada por musicais como “La Tabaré – Rock’n’Roll” e “Tudo o Mais” e “Aniceto”, comédias como “Rude e Brega”, estrelada por Gael García Bernal e Diego Luna, e pela ousadia experimental e divertida de “Blak Mama”, repleta de Alegorias latinas. Chama a atenção o protagonismo de personagens adolescentes, como em “Gasolina”, “Deuses” e “Vou Explodir”. A internacionalização da produção é exemplificada por “1989”, falado em inglês, feito por colombianos, mas cujo resultado estético torna seu lugar de origem de difícil identificação, abrindo a discussão sobre a “globalização” do cinema latino-americano.

O cinema brasileiro está representado por 10 filmes, entre documentário e ficção. Estão reunidos alguns dos principais destaques da última safra ao lado de produções ainda inéditas no circuito comercial. Além de exibir os trabalhos mais recentes de importantes diretores – como Eduardo Coutinho (“Moscou”, onde dá continuidade à pesquisa da laminar separação entre real e imaginário), Júlio Bressane (“A Erva do Rato”, baseado em contos de Machado de Assis) e Domingos de Oliveira (“Juventude”) –, a mostra celebra a estreia na direção de longas-metragens de dois novos talentos: Eduardo Valente (“No Meu Lugar”) e Christian Saghaard (“O Fim da Picada”). Três títulos brasileiros exibem cunho bastante pessoal de seus realizadores: “Amizade”, de Sérgio Muniz; “Corumbiara”, de Vincent Carelli; e “Meu Mundo em Perigo”, de José Eduardo Belmonte. A destacar-se ainda a volta à direção de longas-metragens, depois de décadas de afastamento, dos veteranos José Mojica Marins (“Encarnação do Demônio”, filme que fecha a trilogia do Zé do Caixão) e Rodolfo Nanni (“O Retorno”).

A exemplo das últimas edições, o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo premia dois filmes da seção Contemporâneos, um selecionado pelo público que assiste às sessões e o segundo eleito pela crítica. Em 2008, os ontemplados foram “Jogo de Cena”, de Eduardo Coutinho (Prêmio do Público), e “Estrelas” (“Estrellas”), dos argentinos Federico León e Marcos Martínez (Prêmio da Crítica).