APRESENTAÇÃO | PROGRAMAÇÃO Mostra Alex Viany A trajetória profissional de Alex Viany abrange pouco mais de 50 anos de atividade (1934-86). Durante esse período, seja como crítico militante, realizador ou historiador, Viany participou de muitos momentos decisivos da história do cinema brasileiro. Em 2008, o Acervo Alex Viany, fisicamente depositado na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, foi organizado, digitalizado e disponibilizado na internet (www.alexviany.com.br), ganhando inédita visibilidade e possibilitando a sua ampla utilização por estudiosos, pesquisadores e interessados em geral. A mesma sorte não tiveram os seus filmes – quatro longas, dois médias e dois curtas-metragens –, que permanecem ainda, em grande parte, desconhecidos do público. Trata-se de uma filmografia pouco numerosa, mas extremamente significativa. A seleção dos títulos apresentados pelo 4º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo – “Rua Sem Sol”, “Sol Sobre a Lama” e “Humberto Mauro: Eu Coração dou Bom” – tem a vantagem de não partir do lugar comum e de possibilitar o contato com filmes que merecem não só ser vistos/revistos, mas repensados em relação à própria história do cinema brasileiro. O tema do dinheiro encontra em “Rua Sem Sol” sensível tradução melodramática filtrada pelo desejo de realismo; “Sol Sobre a Lama” é fruto das contradições políticas que o próprio Viany pretendeu criticar; o documentário para a televisão “Humberto Mauro: Eu Coração dou Bom” revela o recuo tático e algo melancólico de Viany ao passado, no momento em que o cinema brasileiro de forma pragmática se “institucionalizava”, por um lado, e se “mercantilizava”, por outro. Complementado por curtas-metragens, como “Um Favelado“ e o recente “Nós Somos um Poema“, o panorama se enriquece: no primeiro, Viany aparece como ator; o segundo é uma homenagem ao encontro único de Vinícius de Moraes com Pixinguinha para a realização da trilha sonora de “Sol Sobre a Lama“. Conhecer a obra de Viany não segundo os velhos chavões – “precursor do Cinema Novo”, “representante do neorrealismo brasileiro” etc. – é não só oportuno como necessário, pois inspira a disposição em verificar, nos filmes, novos enfoques, novas ideias, novos recortes. Luís Alberto Rocha Melo - Acervo Alex Viany |