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O Memorial da América Latina chega à terceira edição do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo com motivos para comemorar. O sucesso da empreitada mostrou-se logo na edição inaugural, em 2006, quando a presença do público superou as mais ousadas expectativas e as oficinas e mesas paralelas às exibições foram bastante produtivas.

No ano passado, o mesmo êxito gratificante: sessões e programações complementares demonstrando que o cinema latino-americano está bem vivo e, melhor, desperta interesses apaixonados. Este Festival, que se encontra na terceira realização, com a curadoria de João Batista de Andrade, nesta e na anterior, já pertence à cidade de São Paulo, viabilizado graças à parceria da Secretaria de Estado da Cultura.

Quando movidas pelo entusiasmo, as iniciativas tendem a se enriquecer. É o caso deste 3º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, que se abre com novidades, a principal delas o lançamento do romance Memórias do subdesenvolvimento, de Edmundo Desnoes, publicado em Cuba e na Europa, mas inédito em português. O Memorial tomou para si a tarefa de trazê-lo ao público brasileiro, e lançá-lo durante seu Festival de Cinema, porque além da importância literária, a obra deu origem a um dos principais filmes do diretor cubano Tomás Gutiérrez Alea (1928-1996). Edmundo Desnoes, consagrado escritor cubano, tem presença aguardada, para discorrer sobre a obra e a adaptação do colega cineasta com quem colaborou estreitamente.

Com organização da Associação do Audiovisual e apoio da Cinemateca Brasileira e do Sesc São Paulo, o cineasta homenageado este ano é Fernando Solanas, polêmico realizador argentino. O que representa para o público uma oportunidade de assistir a uma aula magna do detentor do Urso de Ouro Honorário do Festival de Berlim 2004, pelo conjunto de sua obra, de acentuado caráter político.

A exibição de 40 títulos recém-produzidos desta terceira edição reforça o propósito de referendar a atual vitalidade desta cinematografia que desponta e (re)desponta em vários países. A programação aproveita também para oferecer grandes atrações, como De quem é a cinta-liga, comédia inspirada na obra de Pedro Almodóvar, segundo longa-metragem do agora também diretor Fito Páez, um dos principais expoentes do rock argentino. Desta vez, a tradicional retrospectiva centra-se no cinema latino-americano dos anos 70, período em que os realizadores experimentaram novas linguagens e muita combatividade. Completam o programa uma competição de filmes realizados em cursos audiovisuais de escolas brasileiras, chilenas, mexicanas e cubanas, entre outras; as oficinas ministradas por especialistas internacionais; e a série de debates voltada às principais questões ligadas ao fazer cinematográfico na América Latina.

Fernando Leça
Presidente do Memorial da América Latina