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DO AUDIOVISUAL
Pela terceira vez teremos a oportunidade de uma viagem que sempre nos toca nas veias: uma viagem pelo cinema latino-americano proporcionada pelo 3º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo 2008. Tal como propusemos desde o primeiro evento, em 2006, teremos ali uma seleção vigorosa do que há de mais atual no cinema latino-americano, ao lado de uma mostra – que sempre exibe grande interesse pelo público – de nossas forças históricas, dos filmes que fizeram a história, muitas vezes de luta, de nosso cinema. Essa é a idéia básica deste Festival: de um lado, a busca do novo, das novas propostas, dos novos talentos, das surpresas, do inesperado; de outro, a presença fundamental de nossas raízes, dos filmes que marcaram gerações, a força e as propostas dos cineastas que apontaram caminho em meio a tanta dificuldade de existir e de se propagar. No primeiro ano, expusemos nossa visão crítica quanto à estranha globalização que, perversamente, coleta entre nós os que em certos momentos, por razões muitas vezes inatingíveis – mas certamente também pelos seus talentos –, fazem sucesso e são festejados pela mídia internacional. Uma coleta que, se faz bem aos escolhidos e também aos nossos egos, deixa para trás os graves problemas das produções nacionais, sempre às voltas com a massacrante ocupação da cinematografia dominante em todo mundo. É justo, e merecido, o elogio e a abertura de oportunidades para os acertos, os talentos reconhecidos a cada momento. E essas vitórias são sempre um alento e um desafio aos jovens cineastas latino-americanos. Mas é preciso dizer que todos fomos formados em nossos países, em nossas cinematografias, mergulhados em nossos eternos problemas de sobrevivência e planejamento. Esse, aliás, é o teor do documento assinado por realizadores mexicanos, no ano passado, quando se encontravam no auge do prestígio internacional: como ficam nossas indústrias cinematográficas nacionais, nossos mercados?
O 3º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo 2008 reafirma essa visão crítica, certos de que o cinema latino-americano, em todas as suas correntes e propostas, é um cinema que ainda luta pela sua sobrevivência e por espaços em seus próprios países. Festejaremos, como sempre, a diversidade de propostas, o pluralismo cultural e regional, a surpresa e o prazer de fazer e de ver cinema.
O homenageado deste ano é, sem dúvida, uma feliz escolha. Fernando Pino Solanas é, em sua trajetória, um pouco de nossa origem, a força de nossa história cinematográfica e a continuidade, o atual. Solanas é um cineasta formado nas lutas políticas latino-americanas e que soube conduzir sua carreira construindo, até hoje, filmes que pairam acima do momento, acima das contingências, acima do local, como um cinema universal marcado pela fatalidade de ser latino-americano.
João Batista de Andrade
Curador