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Ao chegar à sua terceira edição, o Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo consolida-se como espaço privilegiado para a cinematografia da região, que nele tem seus caminhos discutidos e suas obras exibidas, e para a reflexão das identidades e particularidades da Nossa América.

Essa vocação se revela quando o Festival evolui em torno de sua própria proposta inicial, projetando-a para inovações. Assim, a publicação do conteúdo das mesas de debate da primeira edição do evento – um encontro de ressonância histórica que reuniu muitos dos maiores nomes da cinematografia do continente – mostra um saldo fundamental que o Festival e a comunidade estarão reaproveitando continuamente.

A homenagem a Tomás Gutiérrez Alea, escrita (livro), falada (debates) e filmada (mostra de filmes), também se inscreve nessa que talvez já possa ser chamada de tradição do Festival. Assim como a revisão da produção latino-americana também se consolidou como um dos “sucessos de público” – isto é, como demonstração do interesse, especialmente dos jovens, com a formação e evolução da nossa identidade cinematográfica.

Por outro lado, a criação de um espaço para a exposição e reflexão sobre a produção das escolas de cinema latino-americanas, e a promoção do intercâmbio de experiências, o investimento na formação transversal da nossa criatividade aponta para novas dimensões da ação, do conhecimento e do debate que definem esta iniciativa. E cumpre destacar que este ano voltam a ser promovidas oficinas audiovisuais, que tanto sucesso alcançaram na primeira edição e que parecem indispensáveis para o delineamento que se vai fazendo do que constitui a personalidade deste Festival Latino-Americano.

Nesta edição, o Festival privilegia a discussão e investe na promoção do tema da colaboração entre nossas indústrias e artes audiovisuais – ou seja, co-produção. Nas mesas e oficinas, os esforços conjuntos não respeitam fronteiras e, dessa forma, agregamos mais parceiros no “multiverso” que estamos construindo, que se exprime nas línguas mais comuns da América Latina, mas se abre para outros continentes, em um movimento sempre de colaboração, não de ocupação.

E, finalmente, temos Fernando “Pino” Solanas como homenageado, símbolo palpável de um estado de espírito que muda o tempo todo, a cada novo momento da realidade, da História, mas que permanece, contraditoriamente, o mesmo: a inquietação, o inconformismo. Que elas sejam a marca também deste Festival.

Felipe Macedo
Francisco Cesar Filho
Jurandir Müller
Diretores do Festival