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CINEMATOGRAFIAS FLUIDAS

Nos últimos anos, a cinematografia latino-americana vem crescendo significativamente em abrangência, no que diz respeito à produção e difusão de obras de diversos gêneros e temáticas. Embora grande parte delas se circunscreva ao âmbito do árduo trabalho de mãos independentes, hoje acessamos uma gama maior de filmes da comunidade circunvizinha, assim como transportamos mais intensamente nossas estéticas e dramaturgias. Ainda assim, a circulação para fora do contexto local mostra-se muito limitada se a compararmos com a leva de películas advindas dos conglomerados transnacionais.

Acionar redes de fomento à realização como à distribuição de expressões culturais audiovisuais é, sem dúvida, algo urgente, ainda mais quando vislumbramos o cinema como um veículo integrador, capaz de reforçar as tramas de pertencimento. O anseio por um protagonismo imagético oriundo do bloco latino de nações não significa desconsiderar as diferenças de natureza histórica, política e econômica, que destilaram à região situações ímpares de conflitos e reconciliações, fragmentações e anexações. Há, sim, muitas ambiguidades e contradições, mas se sobrepõem a elas marcas em comum que recortam esse espaço de significação, provenientes das heranças coloniais, das tradições dos povos originários e das atitudes de afirmação da identidade local. Assim, é possível traçar uma cartografia de narrativas que se materializa num imaginário relativamente comum em várias instâncias discursivas, de maneira a desconstruir as fronteiras físicas e simbólicas.

Esse sentido de compartilhamento de ideias, desejos e traços identitários deve nortear ações de incremento a modos diversos de coprodução internacional, como forma de contribuir para um novo mapeamento e redesenho desses campos. As redes e lugares de encontro dos fazeres em cinema, além de difundirem as pluralidades culturais dos países do entorno, ainda incentivam o contato com as atuais narrativas de diretores e produtores da região.

O 11º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo é um desses significativos espaços de reunião, na medida em que se constitui como uma possibilidade de reflexão acerca dos processos de criação, estímulo ao intercâmbio e às trocas, tornando mais fluidas as fronteiras de distribuição.

Danilo Santos de Miranda
Diretor Regional do Sesc São Paulo
CINEMATOGRAFÍAS FLUIDAS

La cinematografía latinoamericana ha crecido significativamente en su alcance, en lo que se refiere a la producción y difusión de obras de diversos géneros y temáticas. Aunque grande parte de ellas todavía están circunscritas al ámbito del duro trabajo de manos independientes, hoy tenemos acceso a una gama mayor de películas de la comunidad circunvecina, de la misma forma que transportamos más intensamente nuestras estéticas y dramaturgias. Aún así, la circulación hacia fuera del contexto local se muestra muy limitada si la comparamos con la oleada de películas provenientes de los conglomerados transnacionales.

Accionar redes de fomento a la realización y a la distribución de expresiones culturales audiovisuales es, sin lugar a dudas, algo urgente, mucho más cuando vislumbramos el cine como un vehículo integrador, capaz de reforzar las tramas del sentido de pertenencia. El anhelo por un protagonismo de imágenes proveniente del bloque latino de naciones no significa desconsiderar las diferencias de naturaleza histórica, política y económica que destilaron en la región situaciones impares de conflictos y reconciliaciones, fragmentaciones y anexiones. Lo que sí hay son muchas ambigüedades y contradicciones, pero a ellas se sobreponen marcas en común que recortan ese espacio de significación, provenientes de las herencias culturales de las tradiciones, de los pueblos originarios y de las actitudes de afirmación de la identidad local. Por lo tanto, es posible esbozar una cartografía de narrativas que se materializa en un imaginario relativamente común en diversas instancias discursivas, de tal manera que sea posible desconstruir las fronteras físicas y simbólicas.

Ese sentido de compartir ideas, deseos y trazos de identidad debe nortear acciones de aumento de modos diversos de co-producción internacional, como forma de contribuir a un nuevo mapeo y rediseño de esos campos. Las redes y lugares de encuentro de los haceres en cine, además de difundir las pluralidades culturales de los países del entorno, también incentivan el contacto con las narrativas actuales de directores y productores de la región.

El 11º Festival de Cine Latinoamericano de São Paulo es uno de esos espacios significativos de reunión, en la medida en que se constituye como una posibilidad de reflexión sobre los procesos de creación, incentivo al intercambio y a los trueques, haciendo más fluidas las fronteras de distribución.

Danilo Santos de Miranda
Director Regional del Sesc SãoPaulo