Ninón Del Castillo apresentou o filme boliviano "Zona Sur", nesse sábado, 17 de julho, na Sala 1 do Memorial da América Latina. Ela interpreta a personagem principal da película de Juan Carlos Valdivia, ganhadora do prêmio de melhor roteiro e direção internacional do Festival de Sundance deste ano. Após a projeção, em uma rápida conversa com o público, ela fez uma confissão surpreendente, se levarmos em conta sua excelente atuação: Ninón vem do mercado publicitário, até 2009 atuava em comerciais e nunca havia trabalhado em filme ou teatro. Apesar de meia idade, é uma novata na telinha.
Bate-papo com diretor de cinema é sempre bom. Não importa qual o filme, se a crítica amou ou detestou, se ainda nem foi lançado... Quando alguns diretores se juntam para debater sua arte, não tem cinéfilo que não saia com um sorriso no rosto ao final do encontro. Nesta hora percebemos que longe do pedestal, todo autor também tem seus medos, expectativas, frustrações e, claro, boas histórias pra contar.
O primeiro contato de Miguel Coyula com a produção de imagens se deu aos 17 anos, quando ganhou de presente uma câmera VHS. De pronto, com a ajuda de amigos do bairro, concebeu e gravou de forma artesanal sua 1° obra; processo criativo que pautou dali em diante sua forma de trabalho. Logo, entrou na famosa EICTV - Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de Los Baños, onde teve a oportunidade de conhecer de fato as tecnologias e ferramentas do fazer cinematográfico. No set, busca um grau de liberdade só conquistado com a presença dos amigos e, aberto a influências, não deixa de desenhar storyboards sob a ótica de um admirador confesso de quadrinhos.
Este é um retrato rápido de Miguel Coyula, diretor, roteirista, fotógrafo e editor de "Memórias do Desenvolvimento" filme na programação do 5° Festlatino e que tem como base o livro homônimo de Edmundo Desnoes, autor do clássico "Memórias do Subdesenvolvimento" também adaptado para tela grande por Tomáz Gutiérrez Alea. Neste novo livro/filme, o personagem Sérgio abandona a revolução e o dito "subdesenvolvimento" apenas para descobrir também não se encaixar em sua nova vida nos EUA. Segundo sua sinopse, o filme é estudo de um personagem solitário sem política nem ideologia definidas, enfrentando o envelhecimento, o desejo e a impossibilidade do indivíduo de pertencer a qualquer sociedade.
Com a discussão acerca do impacto dos novos meios na crítica audiovisual, começou ontem, 13 de julho, o ciclo de debates do 5° Festlatino. Mediada por Maria Dora Mourão, vice-diretora da ECA-USP e presidente da Associação dos Amigos da Cinemateca, a mesa contou com a presença dos críticos Cléber Eduardo, Cássio Starling Carlos e José Carlos Avellar, além de Rogério da Costa, professor e filósofo da PUC-SP.
Memorial da América Latina, 12 de julho, por volta das 20h. Luzes vermelhas realçam as curvas do Auditório Simón Bolívar. Produtoras com cabelos e crachás esvoaçantes correm com seus inseparáveis walk-talkies para acertar últimos detalhes. Sacos de gelo garantem a temperatura de cervejas e refrigerantes, enquanto garçons descansam as pernas para o árduo trabalho de logo mais. Manobristas comentam a final da Copa a espera do próximo convidado. Aos poucos, um burburinho animado, solenemente vigiado pela Pomba do escultor Alfredo Ceschiatti, começa a agitar o foyer. Cinéfilo que se preze, já conhece o roteiro, está pra começar mais um Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo.
Marcelo Piñeyro, diretor argentino e um dos homenageados no 5º Festival de Cinema Latino-americano de São Paulo, concedeu ao Memorial da América Latina e à organização do Festlatino uma entrevista repleta de entusiasmo, senso crítico e curiosidade. Em mais de uma hora de bate-papo, o que mais chamou atenção em Piñeyro foi sua sintonia com o objetivo do Festival: promover aproximação entre o artista, o público e os jovens realizadores. Apesar de não querer assumir a postura de um "conferencista", animou-se com a ideia de que em uma Aula Magna - a qual acontecerá no dia 17 de julho, último dia do Festival - é possível promover o debate crítico sobre seu próprio cinema a partir da intervenção do público, que ele está ansioso por conhecer.
O Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo se caracteriza não só por suas mostras retrospectivas e contemporâneas ou suas oficinas e mesas de debates; ele é, para o cinéfilo, um amplo espaço de discussão. Nos saguões do Auditório Simón Bolívar, no café do Cinesesc, nas colméias da USP ou sob a bela arquitetura da Cinemateca e do MIS, os amantes da sétima arte comentam, elogiam e criticam os filmes da programação, os rumos da produção latino-americana, enfim, fazem cinema.
Foram inúmeros candidatos, entre os quais, interessados de fora do país, e agradecemos a todos que enviaram currículos e cartas de intenção para participar das Oficinas oferecidas durante o 5º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo.
"Agora é minha vez" é a segunda obra de Edmundo Desnoes publicada pelo Memorial da América Latina - a primeira, "Memórias do Subdesenvolvimento", de 1965, foi lançada durante o 3º Festlatino. Na ocasião, também foi exibido o filme homônimo de Tomaz Gutiérrez Alea, clássico do cinema cubando, de 1968.
Parte importante da programação de todas as edições do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo é a seleção do homenageado. Mostras panorâmicas, que contemplam vida e obra de um diretor consagrado, são, em geral, as mais disputadas pelo público e comentadas pela crítica, pois vão ao encontro de uma proposta fundamental do Festlatino: o resgate da cinematografia do continente.
Além do merecido tributo a João Batista de Andrade, o 5º Festival de Cinema Latino Americano de São Paulo homenageia o argentino Marcelo Piñeyro que, além da retrospectiva de seus filmes, é o responsável pela aula magna desta edição (dia 17 de julho, às 16h no Memorial da América Latina). Piñeyro é autor de sucessos da recente cinematografia latino-americana, mas produz e realiza cinema desde os anos 1990, época em que se firmou como um dos mais importantes diretores da região. A presente programação reúne seis longas-metragens, dirigidos pelo cineasta entre 1993 e 2009.
Dentro da vasta programação do Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo estão oficinas audiovisuais que vão ao encontro do objetivo de divulgar e discutir a singularidade estética da cinematografia latino-americana. Neste ano, serão cinco oficinas teóricas e práticas voltadas para público amplo, ministradas em espanhol e português: Estratégias de Co-Produção e Difusão; Crítica, Montagem, Direção e Criação Cinematográfica e Roteiro.
"Água fria do mar" abre, para convidados, o 5° Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo
no dia 12 de julho, a partir das 20 horas
